Roteiro dos Castelos de Portugal. CRÓNICA 9

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Ourém

Descrição: Apesar de sermos naturais desta região de Portugal, e de aqui sempre termos vivido, o certo é que apenas recentemente descobrimos os encantos do castelo de Ourém, uma povoação que, tal como a anterior, também se encontra decalcada em município brasileiro da zona estadual do Pará. Aparte esta questão, convém referir que a povoação de Ourém se divide em duas partes distintas, a mais moderna, em zona baixa, ao passo que a antiga, incrustada no seio da fortaleza medieval, se encontra no topo de uma colina, com uma cota superior a trezentos metros acima do nível médio do mar. É aqui que o castelo, de planta triangular irregular se destaca, dominando a paisagem, e ofertando-nos uma original praça de armas, com cisterna ogival, e especialmente os Paços do Duque, anteriormente local de residência para os senhores da vila. Segundo se sabe, o antigo Portuns de Auren ou Portum Ourens passou a fazer parte da coroa nacional no ano de 1142, em período exactamente anterior à independência, o que não deixa de ser relevante, pois confirma a nossa ideia de ter sido crucial na linha defensiva com base em castelos como os de Leiria, Soure ou Pombal. É o rei D. Afonso II que lhe dá foral, no início do século XII, e, de lá para cá, passou de um domínio directo do rei para ser colocado nas mãos dos Condes de Ourém cuja linhagem teve início no reinado de D. Pedro I (1357-1367) pelo nobre D. João Afonso Telo de Menezes, sendo classificado como Monumento Nacional em 1910.

Outros motivos de interesse: Aqui perto a Ourém, como é sabido, figura o Santuário de Nossa Senhora de Fátima, espaço relevante no campo religioso e da tradição popular. No entanto, a área que envolve Ourém tem ainda mais para oferecer ao visitante, nomeadamente a Igreja Matriz, o típico Pelourinho, assim como a Serra de Aire, bem próxima, e que é um exemplar magnífico da importância da natureza dentro da geografia de um país.

Porto de Mós

Descrição: Diz o povo, e com razão, que quando o destino quer os acontecimentos sucedem. Na verdade, foi deste modo que visitámos o castelo de Porto de Mós. E, de pronto, percebemos estar perante um monumento com características únicas, que se assemelhava ao que imaginávamos quando, em crianças, escutávamos as lendas de princesas encantadas e as suas paixões por jovens cavaleiros que lutavam em nome da fé cristã. Para tanto baseamo-nos na arquitectura da fortaleza, com planta pentagonal irregular, alindado com cinco torres, duas das quais encimadas por corichéus verdes com formato piramidal, provavelmente o elemento mais fascinante. Mas também as janelas nos deixam fascinados, rematadas com varandas duplas e arcos conopiais misulados. No que diz respeito à sua história, diga-se que a parte referente à posse portuguesa, está intimamente ligada à figura de D. Fuas Roupinho mítico cavaleiro nacional, que conquistou o castelo de Porto de Mós em 1148 e, após a sua perda para as forças mouriscas, voltou a reconquistá-lo pouco tempo depois. O foral da povoação surgiu apenas em 1305, altura em que o monarca D. Dinis deu início a algumas obras no sentido conducente a tornar o castelo de Porto de Mós em residência senhorial, o que veio a acontecer nos anos seguintes. Já no século XV a área envolvente foi transformada, por D. Afonso, filho do primeiro Duque de Bragança, em solar renascentista, tendo obtido, consecutivamente, obras de restauro e ampliação ressalvando a sua beleza, facto apenas prejudicado pelos terramotos de 1755 e 1909.

Outros motivos de interesse: Ao redor de Porto de Mós, existem alguns monumentos que justificam visita. Porém, é no interior da povoação que destacamos locais interessantes, como é o caso do Pelourinho, a Casa da Família Gorjão ou mesmo o troço da via romana patente em Alqueidão da Serra.

Póvoa de Lanhoso

Descrição: Bem no topo do Monte do Pilar, considerado o maior monólito granítico de Portugal, encontramos o castelo de Lanhoso. Na verdade, e apesar de esta povoação se encontrar algo afastado das grandes metrópoles, o monumento obtém uma fabulosa marca de cerca de dez mil visitantes anuais, de acordo com o turismo local. Ao contrário do que é tradicional, a sua planta apresenta características hexagonais, utilizando, em sobreposição, o estilo românico e gótico. As suas paredes, com mais de um metro de espessura, possuem uma altura de dez metros, ao passo que as muralhas são percorridas por adarve e protegidas por parapeito. Destaque ainda para a quadrangular torre de menagem e, naturalmente, para a escada de pedra que comunica com a porta da torre. Foi o arcebispo D. Pedro de Braga que ordenou a construção desta fortaleza, em finais do primeiro século do ano 1000. Conta a tradição que aqui se refugiou D. Teresa, mãe do primeiro monarca nacional, quando D. Urraca, rainha do condado de Leão, a perseguiu, tendo em conta disputas políticas entre as meias-irmãs. Mas não só esse encerramento aconteceu em 1121 pois, alguns anos depois, quando o próprio filho a perseguiu, na luta pela independência nacional, crê-se que o castelo de Lanhoso tenha servido de prisão a D. Teresa, no ano de 1128. A partir do século XVI o castelo entrou em decadência, tendo-se procedido, em meados de 1938, a importantes restauros.

Outros motivos de interesse: Junto ao castelo de Póvoa de Lanhoso, existe o belo Santuário de Nossa Senhora do Pilar, cuja escadaria e capelas fomentaram, desde sempre, a peregrinação popular. Ali perto, realce para os achados arqueológicos, nomeadamente um castro romanizado que também pode ser visitado por quem assim desejar. O Pelourinho não podia deixar de marcar presença, pois é um elemento ancestral do território nacional, assim como a Ponte de Mem Gutierres, na freguesia de Esperança.

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